apresentação


Richard Dubois
Arena BSB

Em escala substantivamente menor, nossa determinação e esforço para materializarmos a Arena BSB ecoa o espírito inovador da cidade sonhada por Juscelino Kubitschek, encampada por Israel Pinheiro, Bernardo Sayão e Ernesto Silva, idealizada por Lucio Costa e definitivamente qualificada pela arquitetura de Oscar Niemeyer.

A capacidade técnica e de gestão, a visão de futuro, e a imensa vontade de inovar com foco nos cidadãos estão plasmadas em Brasília. É algo que louvamos e buscamos alcançar em nossa empreitada. Estão inscritas no nosso DNA empresarial.

Por isso, acatamos e acolhemos com entusiasmo a ideia de um concurso nacional para a intervenção na nossa cidade Patrimônio Cultural da Humanidade. E vamos desenvolvê-lo com rigor e seriedade em duas etapas de julgamento, para que o processo de escolha amadureça e dê conta da complexidade conceitual, cultural e funcional deste projeto.

Acreditamos que há uma candente necessidade de valorização do capital simbólico da cidade por meio do tombamento, seu significado histórico, seu papel como capital do país, ensejando um grande potencial turístico ainda pouco explorado.

Para tanto, este Concurso para Requalificação do Complexo Esportivo e de Lazer Arena BSB deve materializar a visão de uma Brasília mais acolhedora aos seus cidadãos, aos turistas e ao empreendedorismo, com foco na criação de bem-estar, saúde e desenvolvimento social, por meio da criação de empregos diretos e geração de riquezas. Uma Brasília que vai diversificar sua matriz econômica ao passo que amplia o horizonte de oportunidades de lazer, encontro, e para a prática desportiva tão querida dos brasilienses. Tudo isso com espaços urbanos, arquitetônicos e paisagísticos altamente qualificados, que reforcem a bela e indissociável relação com a natureza que o projeto de Lucio Costa sempre buscou realizar.

Nosso objetivo na área de sustentabilidade é deixar o Complexo autossuficiente em energia elétrica já nos próximos meses da concessão por meio da instalação de um parque de painéis solares na cobertura do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Vamos aprimorar a coleta e o armazenamento de águas pluviais e a infiltração e detenção do que não for possível reter. E, ao longo da implantação do projeto vencedor, vamos implantar mais de 300 mil m² de área verde no complexo, junto com urbanização e paisagismo, desenho de calçadas, ciclovias e áreas de lazer abertas ao público, que somarão por volta de 450 mil m².

Se o lema de JK foi 50 anos em 5, e Brasília foi construída com entusiasmo e rapidez em menos de 4 anos, é certo também que uma cidade nunca fica pronta, nunca se pode dar por acabada. Nosso contrato, por outro lado, tem previsão de duração de 35 anos, e o projeto escolhido neste concurso será o nosso guia-mestre para a implantação faseada de todo o complexo, e deve, claro, ser flexível e durável para enfrentar essas mais de três décadas que certamente revelarão muitas modificações na sociedade e nos próprios conceitos sobre cidade, sobre coletividade e, quem sabe, até sobre “ser” humano.

Convido toda a inteligência da arquitetura brasileira e seus parceiros internacionais para mostrar ao Brasil e ao mundo que nossa cidade, construída entre os paralelos 15 e 20, tem outras riquezas. Que Brasília é mais do que política e tribunais. Que este equipamento é para a cidade de Brasília, um equipamento metropolitano. Que a Arena BSB é um empreendimento de relevância regional, nacional, e, por que não?, internacional.

Toda grande metrópole tem sua referência de entretenimento, lazer, cultura e encontro: a Lapa, Vila Madalena, Puerto Madero, Las Ramblas, Champs-Élysées, Broadway.

Com o projeto vencedor deste concurso, Brasília se habilita para este seleto grupo.




Célio da Costa Melis Junior
IAB/DF

Brasília, símbolo inequívoco da expressão cultural de um período pujante da história nacional, no ano em que completa oficialmente sessenta anos, receberá presente à altura de sua importância: um projeto oriundo de um concurso nacional (à exemplo dela própria), que terá por escopo a reflexão, o debate e a proposição de soluções para a dinamização de uma região da cidade que, a despeito de seu peso simbólico dada a localização estratégica na estrutura urbana que compõe o Eixo Monumental, carece de olhar imbuído de sensibilidade artística, profundidade no conceito e capacidade técnica para que recupere sua relevância ante o contexto urbano da cidade.

O objeto de intervenção do concurso engloba parcela significativa do Setor de Recreação Esportivo Norte (SRPN) e constitui um complexo esportivo que se articula(va) por meio de diversos equipamentos esportivos de uso público que, até momento histórico relativamente recente, oferecia à população a oportunidade da prática de diversas modalidades esportivas, gratuitamente ou a preços subsidiados pelo Estado. Locais como o parque aquático do “DEFER” (outrora referência nacional na formação de atletas das águas), o ginásio Cláudio Coutinho, as quadras poliesportivas abertas e sempre lotadas aos finais de semana e as quadras de tênis (as únicas públicas e gratuitas da cidade nessa modalidade) fazem parte da memória afetiva, ao menos de uma boa parte dos moradores da cidade.

Em que pese um histórico de melancólico abandono e decisões técnico-políticas questionáveis, em especial relacionadas ao Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, esta parte do SRPN está agora sob a responsabilidade do Consórcio Arena BSB, vencedor do processo de concessão pública promovido pelo GDF. Atendendo aos condicionantes prescritos no contrato de concessão assinado com a Terracap, a empresa assimilou de pronto a importância da realização de um concurso nacional de projetos de arquitetura e urbanismo, como a melhor forma de equacionar o complexo desafio de harmonização, dentre outros, da viabilidade de um empreendimento deste porte à sensibilidade inerente ao local.

Não custa reafirmar um (quase) mantra:

Concurso público para seleção de projetos de arquitetura e urbanismo é a forma mais inteligente, confiável, transparente e democrática de contratação deste tipo de “serviço técnico especializado”. Sobretudo quando o objetivo principal é a ampliação da diversidade e qualidade de respostas às demandas dadas, de forma a se obter a melhor solução por meio de um processo onde experiência e notoriedade do proponente são apenas instrumentos que, dentre outros, se somam à capacidade de inovação, de interlocução com as diversas esferas do conhecimento humano que se devem fazer presentes em qualquer projeto... porque não dizer... o confronto interno entre a resiliência ao risco e a resiliência do risco.

O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) milita em favor desta ideia desde sua fundação, em 1921, quando ainda era chamado Associação Brasileira de Architectos. Afora as determinações institucionais, o IAB celebra a Arquitetura como dimensão cultural indelével de uma sociedade e responsável pela construção do palco onde seus diversos atores exercem a cidadania de forma plena, se utilizando de sua principal ferramenta: o desenho.

E que venham as propostas... que o conhecimento acumulado de mestres como Lucio Costa seja lastro ao pensamento crítico que irá orientar sua concepção e seu desenvolvimento.

Boa sorte... e ao risco!


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